Peso em excesso pode causar dores nas costas ou má postura. Veja como minimizar o problema.
Se depois de um tempo da volta às aulas, seu filho reclamar de dor nas costas, atenção! Saiba que um dos motivos pode ser o peso que ele carrega na mochila. Os modelos mudam, as opções se multiplicam nas lojas, mas o peso e o tipo da mochila são muito importantes. A maioria das queixas de dor nas costas de crianças em idade escolar tem ela como grande vilã. Ou melhor, o que vai dentro.
Segundo os especialistas, a criança não pode ter mais do que 10% do peso dela nas costas e 5% nas mãos. “O uso incorreto da mochila não causa deformidades na coluna, mas pode agravar uma condição já existente, como escoliose ou lordose”, diz Lucas Leite Ribeiro, ortopedista do Hospital São Luiz (SP). Além da dor nas costas, outros sinais de que seu filho está levando muito peso são dores nos ombros e má postura (ele vai andar curvado).
Abaixo, selecionamos dicas de como evitar esses desconfortos (sim, às vezes, a melhor opção será mesmo trocar a mochila neste semestre):
• A mochila de costas deve ter duas alças bem largas e acolchoadas, que precisam ser usadas sempre juntas, e, de preferência, um cinto abdominal, para fixar a mochila no lugar e deixá-la bem próxima do corpo.
• O ideal é que ela fique bem no meio das costas, apoiada na coluna lombar, para não sobrecarregar os ombros e a própria lombar.
• Se o seu filho precisa carregar mais do que 10% do peso, é melhor optar pela mala com rodinhas, que deve ser levada com uma mão e na posição vertical. A criança não pode se curvar para carregá-la.
• Coloque na mochila só o que será usado naquele dia. Se precisar mandar um brinquedo, dê preferência aos mais leves. Nunca coloque a lancheira dentro da mochila!
• Na hora de organizar o material, deixe o que for mais pesado próximo do corpo, na parte de trás da mochila, para que o peso não faça a criança se curvar. Distribua o resto de maneira uniforme.
Outra fonte: Luiz Eduardo Munhoz da Rocha, ortopedista pediátrico do Hospital Pequeno Príncipe (Curitiba - PR)
Importância do brincar: 11 motivos para seu filho se divertir muito
Quando a criança brinca, ela está conhecendo o espaço e a consciência do próprio corpo
1 - COMBATE À OBESIDADE
É notória a importância do brincar para que a criança se movimente, desenvolva a motricidade e mantenha o peso regular, combatendo a obesidade e o sedentarismo. A brincadeira ao ar livre é fundamental para que a criança explore espaços maiores, mexa-se mais, experimente variações climáticas, tome sol (lembre-se sempre da proteção e dos horários adequados), entre outros benefícios. Meia hora de pega-pega, por exemplo, gasta em média 225 calorias e o mesmo tempo de amarelinha representa 135 calorias. “A convivência com a natureza reduz a obesidade, o déficit de atenção, a hiperatividade e melhora o desempenho escolar”, afirma Daniel Becker, do Instituto de Pediatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Além disso, ao ter contato com ela – seja em parques, praças ou praias –, seu filho cria uma conexão prazerosa com o meio ambiente e estabelece uma relação de respeito com todos os seres vivos.
2. PERMITE O AUTOCONHECIMENTO CORPORAL
Quando o bebê bate palmas ou a criança anda de bicicleta, estão experimentando o que o corpo é capaz. “Se você permite que seu filho corra, tropece, caia e levante de novo, ele aprende sozinho sobre suas possibilidades e limitações”, diz Luciane Motta, da Casa do Brincar (SP). Na brincadeira, o ser humano começa a ter consciência de si mesmo.
3. ESTIMULA O OTIMISMO, A COOPERAÇÃO E A NEGOCIAÇÃO
Por que o brincar tem tanto valor, a ponto de estar previsto na Declaração Universal dos Direitos da Criança, do Unicef? Porque seus benefícios transbordam em muito o aspecto físico. É como se fosse uma característica inerente ao ser humano, defende o psiquiatra Stuart Brown, fundador do The National Institute for Play, na Califórnia (EUA). “Trata-se de uma necessidade biológica básica que ajuda a moldar o cérebro. A vantagem mais óbvia é a intensidade de prazer, algo que energiza, anima e renova o senso natural de otimismo”, diz. Algumas habilidades essenciais, que serão requisitadas também no futuro, estão na brincadeira, como cita o estudo O Impacto do Desenvolvimento na Primeira Infância sobre a Aprendizagem, do Comitê Científico do Núcleo Ciência pela Infância: “À medida que as brincadeiras se tornam mais complexas, o brincar oferece oportunidades para aprender em contextos de relações socioafetivas, onde são explorados aspectos como cooperação, autocontrole e negociação”.
4. GERA RESILIÊNCIA
Uma das habilidades emocionais mais valorizadas hoje em dia também é desenvolvida no ato de brincar: a resiliência. Quando a criança perde no jogo ou o amigo não quer brincar da maneira como ela sugeriu, entra em cena a capacidade de lidar com a frustração, de se adaptar e se desenvolver a partir disso. Com essas experiências, ela aprende a administrar suas decepções e a enfrentar as adversidades.
5. ENSINA A TER RESPEITO
Relacionar-se com o outro é mais uma capacidade vivenciada na brincadeira. Ao interagir com os amigos, irmãos ou pais, a criança aprende a respeitar, ouvir e entender os outros e suas diferenças. Para isso, é essencial que ela possa brincar livremente, sem condições impostas por gênero. “O adulto que brincou bastante na infância é alguém aberto a mudanças, tem pensamentos mais divergentes e aceita a diferença com maior facilidade. No entanto, se uma menina só pode brincar de casinha e o menino, de carrinho, a brincadeira pode impactar para o mal”.
6. DESENVOLVE A ATENÇÃO E O AUTOCONTROLE
Seja para montar um quebra-cabeça, equilibrar-se em um pé só ou empilhar uma torre com blocos, essas habilidades serão aperfeiçoadas a cada brincadeira. Sem contar que serão empregadas desde muito cedo na vida do seu filho, seja na hora de fazer uma prova ou de resolver um conflito.
7. ACABA COM O TÉDIO E A TRISTEZA
Brincar ajuda a manter em ordem a saúde emocional – e as próprias crianças percebem esse benefício. Em um estudo realizado pela Universidade de Montreal, no Canadá, 25 meninos e meninas de 7 a 11 anos fotografaram e falaram de suas brincadeiras favoritas. Para eles, brincar é uma oportunidade de experimentar felicidade, combater o tédio, a tristeza, o medo e a solidão. “Quando pais, médicos e autoridades focam somente no aspecto físico da brincadeira, deixam de lado pontos benéficos para a saúde emocional e social”, afirma a autora Katherine Frohlic.
8. INCENTIVA O TRABALHO EM EQUIPE
Nos jogos coletivos, como o futebol e a queimada, a capacidade de se relacionar com os demais também exige que a criança pense e aja enquanto parte integrante de um grupo. Em um mundo como o que vivemos, cada vez mais conectado, essa habilidade se faz ainda mais importante. Trabalha-se cada vez mais com projetos (desde a educação nas escolas até as grandes empresas), nos quais tudo parte de um interesse coletivo e todas as etapas são desenvolvidas em conjunto – por isso, aprender a defender um time hoje pode ter grande impacto lá na frente.
9. INSTIGA O RACIOCÍNIO ESTRATÉGICO
Jogos de regra, como os de tabuleiro, põem as crianças em situações de impasse. Para solucioná-los, elas precisam raciocinar de maneira estratégica, argumentar, esperar, tomar decisões e, então, analisar os resultados. Ao solucionar problemas, elas vão tentar, errar e aprender com tudo isso – para que, na próxima rodada, possam fazer melhor, com mais repertório.
10. PROMOVE CRIATIVIDADE E IMAGINAÇÃO
Ao ler uma história, brincar de boneca ou construir um brinquedo com sucata, a criança desenvolve a imaginação. E, para isso, não precisa de muito: potes, galhos e panelas podem dar vida a tanta coisa! Foi o que mostrou uma pesquisa da RMIT University, de Melbourne, na Austrália, feita com 120 crianças de 5 a 12 anos. A conclusão é que itens como caixas e baldes incentivam mais a imaginação do que brinquedos caros. Isso porque esses materiais não induzem a uma ideia pronta.
11. ESTABELECE REGRAS E LIMITES
Brincando, a criança reconhece e respeita os limites do espaço, do outro e de si mesma. E passa a lidar com regras, aprendendo a segui-las. Se tiver abertura, ela poderá até questioná-las. Isso será fundamental para conviver em sociedade – quando se faz necessário seguir certas convenções, mas também tentar mudar o cenário para melhor, se possível.
Como ajudar seu filho pequeno a lidar com a timidez
A timidez pode se manifestar desde os primeiros anos de vida da criança. Veja como ajudar seu filho a se sociabilizar
Elas não gostam de aparecer ou de falar muito, ficam ruborizadas quando a atenção recai sobre elas e têm um tom baixo de voz: são as crianças tímidas. Comportar-se assim não é um problema e não deve ser tratado como tal na família. É preciso respeitar o jeito de ser de cada criança. Porém, se a timidez leva a criança a se isolar - querer apenas brincar sozinha, não participar de atividades sociais como festas e passeios - e a apresentar dificuldades na escola, os pais devem, sim, intervir.
A timidez é um traço de personalidade que pode se manifestar desde os primeiros anos de vida. "Por volta de um ano e meio, dois anos, a criança começa a se perceber como um ser independente e passa a ter noção de seus erros e de seus acertos. Começam também a partir dessa fase as autocensuras e o temor de não atender às expectativas dos outros", diz a psicóloga Eliana de Barros Santos. Para não correr o risco de errar, de ser criticado ou de não ter a aprovação dos outros, a criança tímida prefere se preservar e evitar as situações em que fica exposta.
Quais são os sinais da timidez?
Um dos sinais de timidez é o rubor na face, explica Quézia Bombonatto, psicopedagoga e presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp). "Ele pode estar associado ou não ao rubor das orelhas e do pescoço. Seu aparecimento é acompanhado de um sintoma que se caracteriza por sensação súbita de calor na região afetada. É comum também o tímido apresentar uma fala pouco fluente (gaguejar), usar baixo volume de voz, ter pouco contato visual com o interlocutor e apresentar pouca expressão corporal", diz.
Meu filho pequeno se esconde atrás de mim quando alguém que ele não conhece se aproxima. Isso é timidez?
É comum que bebês e crianças pequenas queiram se esconder atrás dos pais quando se deparam com alguém que não conhecem. "Não podemos classificar um comportamento assim como timidez e nem dizer que no futuro essa criança será tímida. Essa é uma atitude de proteção que a criança tem com ela mesma, que é muito natural", diz a psicóloga Eliana de Barros Santos.
Meu filho não consegue ficar longe de mim. O que fazer?
Será que ele não consegue mesmo ou é você que o está acostumando a estar sempre perto de você? Pais superprotetores podem criar crianças inseguras de explorar novos ambientes ou situações. "Os pais têm de se trabalhar para soltar mais a criança. Da mesma forma, se a família tem um padrão mais retraído, mais tímido, com pouca interação social, a criança poderá seguir esse modelo", diz a psicóloga Eliana de Barros Santos.
Elas não gostam de aparecer ou de falar muito, ficam ruborizadas quando a atenção recai sobre elas e têm um tom baixo de voz: são as crianças tímidas. Comportar-se assim não é um problema e não deve ser tratado como tal na família. É preciso respeitar o jeito de ser de cada criança. Porém, se a timidez leva a criança a se isolar - querer apenas brincar sozinha, não participar de atividades sociais como festas e passeios - e a apresentar dificuldades na escola, os pais devem, sim, intervir.
A timidez é um traço de personalidade que pode se manifestar desde os primeiros anos de vida. "Por volta de um ano e meio, dois anos, a criança começa a se perceber como um ser independente e passa a ter noção de seus erros e de seus acertos. Começam também a partir dessa fase as autocensuras e o temor de não atender às expectativas dos outros", diz a psicóloga Eliana de Barros Santos. Para não correr o risco de errar, de ser criticado ou de não ter a aprovação dos outros, a criança tímida prefere se preservar e evitar as situações em que fica exposta.
Quais são os sinais da timidez?
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Meu filho pequeno se esconde atrás de mim quando alguém que ele não conhece se aproxima. Isso é timidez?
É comum que bebês e crianças pequenas queiram se esconder atrás dos pais quando se deparam com alguém que não conhecem. "Não podemos classificar um comportamento assim como timidez e nem dizer que no futuro essa criança será tímida. Essa é uma atitude de proteção que a criança tem com ela mesma, que é muito natural", diz a psicóloga Eliana de Barros Santos.
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A importância da arte para as crianças pequenas
Toda criança gosta de desenhar, certo? Com lápis de cor, tinta guache ou na areia, os pequenos de todos os países, épocas e classes sociais desenham suas casas, famílias e plantas, e, depois, mostram o resultado, orgulhosos, mesmo que sejam apenas alguns rabiscos. Desenhar é uma característica importante do ser humano. Tudo começou na época em que o homem vivia nas cavernas e passou a desenhar nas paredes os animais e as atividades que faziam parte de sua vida. "Indo ou não à escola, é natural que uma criança desenhe, porque o desenho já existia antes mesmo da criação da escola", explica a neurocientista e antropóloga Elvira Souza Lima.
As crianças que vivem em tribos e até mesmo as que tem deficiências visuais desenham, já que fazer traços com um lápis ou com o dedo e um pouco de tinta estimula o tato. Elvira Souza Lima afirma que mesmo que o desenho pareça um rabisco, para a criança, é uma narrativa, uma forma de contar uma história. Além disso, o movimento que as mãos e braços fazem ao desenhar são muito importantes para treinar o corpo e o cérebro para a próxima etapa: escrever.
A escrita nada mais é do que desenhar letras e juntá-las em palavras para criar significados. "Para escrever, usamos 21 áreas do cérebro, e algumas delas são desenvolvidas com o desenho", afirma Elvira. "Uma criança que desenha por 15 minutos todos os dias chega às letras naturalmente, já que o movimento para fazer uma letra de mão (letra cursiva) ou de forma (letra bastão) vem do desenho", ela diz.
Assim, uma criança que desenha bastante pode evitar dificuldades com a caligrafia quando estiver aprendendo a escrever. Mas Elvira alerta que as crianças não precisam parar de desenhar para aprender a escrever. As duas atividades podem continuar lado a lado. Ela destaca que, para desenvolver os movimentos que ajudam na escrita, a melhor escolha é o desenho livre. Ligar pontos, preencher ou colorir desenhos prontos é divertido e pode fazer parte das brincadeiras das crianças, mas é importante que ela treine seus próprios traços livres, com retas e curvas.
Brincar com massinha de modelar, argila e criar esculturas com sucata também é importante, pois ajuda a desenvolver a noção de espaço e profundidade. Elvira sugere que, pelo menos uma vez por semana, a criança brinque com algo relacionado à geometria espacial, como fazer castelinhos com bloquinhos de madeira ou montar cenários com caixas de sapato para a historinha de seus bonecos.
No Colégio Hugo Sarmento, em São Paulo, as artes plásticas, como desenho, pintura e escultura, fazem parte do currículo desde a Educação Infantil até o Ensino Médio. Segundo Patrícia Vasconcellos e Rosana Nunes, coordenadoras da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I do colégio, as expressões artísticas de diversas culturas, como arte indígena, africana e grega, são destacadas. A vida e a obra dos artistas também despertam interesse nos alunos e inspiram suas próprias produções.
"A arte, ao longo da vida estudantil, tem um papel fundamental na construção de um indivíduo crítico, fornecendo-lhe experiências que o ajudem a refletir, desenvolver valores, sentimentos, emoções e uma visão questionadora do mundo que o cerca", afirmam as coordenadoras.
Já a artista e educadora Stela Barbieri destaca: "Para as crianças não existe separação em os campos da arte, como música e pintura. Elas percebem o mundo com todos os sentidos". Para ela, que é assessora de artes da escola Vera Cruz, em São Paulo, e foi curadora das ações educativas da Bienal de Arte de São Paulo, a relação da criança com a arte não acontece apenas na escola. Ela explica que a criança participa de situações em que a relação com a arte acontece naturalmente, como conhecer as texturas em uma feira e os aromas na cozinha, ou brincar no quintal. "O contato com a arte não precisa ser apenas escolarizado", diz.
Esportes ideais para cada fase da criança
Quanto mais cedo o esporte for apresentado, mais fácil será a aceitação pela criança. Os pais devem oferecer o esporte como uma atividade lúdica e não como uma obrigação e com cobranças por resultados.
A criança atual apresenta habilidade enorme para mexer em computador e completar jogos no videogame. Isso não é nada interessante, sinal de que os pequenos estão cada vez menos praticando esportes e optando pelos jogos eletrônicos. O esporte é essencial (não se esqueçam disso, pais!) para o desenvolvimento da criança.
Algumas atividades físicas são indicadas para cada etapa do crescimento do pequeno.
Especialista em ortopedia pediátrica do Hospital e Maternidade São Luiz, o dr. Fabiano Prata, ressalta que é importante respeitar o estágio de desenvolvimento neuropsicomotor da criança de acordo com sua faixa etária.
Ou seja: não surtirá tanto efeito exigir com que o filho aprenda as regras do futebol se ele tem apenas 2 anos.
Lembrando que qualquer esporte é importante, mesmo que não esteja incluído na lista abaixo descrita pelo Dr. Fabiano Prata.
Até o primeiro ano de vida – atividades básicas, como engatinhar, primeiros passos, pois são leves e harmoniosas, levando-se em conta que o bebê ainda está em estágio inicial de crescimento.
1 a 6 anos – Natação é uma grande pedida. Explicações não faltam para apontar a natação como benéfica. A natação ajuda a trabalhar o sistema respiratório e a melhorar o desenvolvimento motor, o equilíbrio e a postura. Além disso, não há regras, como o futebol, por exemplo. É tão somente pular na água e nadar.
Mesmo não sendo um esporte, o subir e descer escadas é um bom exercício físico aos pequenos entre 1 a 6 anos. Também não se pode esquecer de atividades como andar de bicicleta ou triciclos e brincadeiras em parques como subir em escorregador e brinquedos que exijam pouco esforço.
6 a 12 anos – Esportes que envolvem técnicas e regras já se tornam interessantes a essa faixa etária. Antes de apontarmos as principais modalidades a serem seguidas, é interessante que as aptidões do filho sejam levadas em considerações.
Esportes como vôlei, futebol e basquete trabalham o aspecto psicológico, auxiliando a criança a trabalhar em equipe, conviver com diferentes tipos de personalidades, aprender a perder e ganhar.
O judô e caratê trabalham muito a disciplina. São esportes individuais e altamente técnicos. Nem sempre o mais forte vence. A concentração e a mentalização são importantes trunfos nessas modalidades. Essa disciplina pode trazer frutos na vida do menino ou menina.
“Hábitos saudáveis adquiridos desde cedo ajudam a criança a ter uma melhor qualidade de vida quando adulta, prevenindo possíveis doenças causadas pelo sedentarismo”, frisa o ortopedista.
7 atividades para educar com brincadeiras
Os pequenos recebem cuidado e atenção e têm espaço para explorar, brincar e se conhecer. Em sala, têm à disposição brinquedos e materiais que incentivam a expressão artística e estimulam a imaginação. No parque, se divertem pisando na areia. Mesmo sem saber ler, manuseiam livros. Muitas vezes, nem conseguem falar e já estão "cantando" cantigas de roda e seguindo a coreografia. Assim é o dia das crianças de até 3 anos nas boas creches do país.
Essas atividades compõem os conteúdos desse nível da Educação Básica. O termo é recente nessa etapa do ensino, mas tem se difundido graças às descobertas sobre a evolução cognitiva e emocional dos bebês. "Todas essas experiências que fazem parte da rotina devem ser organizadas em um currículo de forma a proporcionar o desenvolvimento de habilidades, como andar, e a aprendizagem de aspectos culturais, como o hábito da leitura", diz Beatriz Ferraz, consultora em Educação Infantil e coordenadora da Escola de Educadores, em São Paulo. O conhecimento, nessa fase, se dá basicamente por meio da ação, da interação com os colegas e os adultos, da brincadeira, da imaginação e do faz de conta. "Não se trata, portanto, de escolarizar as crianças tão cedo, mas de apoiá-las em seu desenvolvimento", ressalta Beatriz.
Nesta reportagem, você encontra sete atividades realizadas ao longo de um dia por turmas de 1 e 2 anos na IMI Maroca Veneziani, em São José dos Campos, a 97 quilômetros de São Paulo. Elas estão inseridas nos seguintes eixos do currículo (o nome varia conforme a rede, mas a essência é a mesma):
1. Exploração dos Objetos e Brincadeiras
Base teórica: De acordo com o médico e psicanalista inglês Donald Winnicott (1896-1971), a liberdade que o brincar proporciona é fundamental para o desenvolvimento da criança por levá-la a conciliar o mundo objetivo e a imaginação. É dele também a ideia de relação entre a ausência de brincadeiras na infância e os problemas emocionais.
2. Linguagem Oral e Comunicação
Base teórica: Para o psicólogo bielo-russo Lev Vygotsky (1896-1934), a criança só desenvolve a fala no contato com os mais velhos. A psicolinguista argentina Emilia Ferreiro afirma que elas, mesmo não alfabetizadas, devem ter contato com a linguagem escrita.
3. Desafios Corporais
Base teórica: Segundo as ideias do psicólogo e filósofo francês Henri Wallon (1879-1962), o movimento é a base da comunicação dos pequenos. A motricidade, portanto, tem um caráter pedagógico tanto pela qualidade do gesto como por sua representação.
4. Exploração do Ambiente
Base teórica: Segundo o cientista suíço Jean Piaget (1896-1980), há quatro estágios básicos do desenvolvimento cognitivo. O primeiro é o sensório-motor, que vai até os 2 anos. Nessa fase, o conhecimento se constrói por meio do movimento e dos sentidos. Para conhecer o mundo, as crianças utilizam tudo o que sabem fazer: pegar, soltar, colocar na boca, sentir com as mãos etc.
5. Identidade e Autonomia
Base teórica: Para Vygotsky, o homem é dialógico por natureza: precisa dos semelhantes para existir, ser e viver. "Na ausência do outro, o homem não se constrói homem", escreveu o psicólogo. A identidade e a autonomia, de acordo com ele, estão intimamente ligadas às relações estabelecidas com o grupo.
6. Exploração e Linguagem Plástica
Base teórica: Para a pesquisadora norte-americana Rhoda Kellogg, o desenho se desenvolve com base nas observações que a criança realiza sobre suas produções gráficas. Por isso, são tão importantes as atividades com variados suportes e instrumentos de expressão.
7. Linguagem Musical e Expressão Corporal
Base teórica: Para o cientista norte-americano Howard Gardner, o homem é dotado de múltiplas inteligências, dentre elas a musical e a físico-cinestésica. O que nos leva a desenvolver capacidades inatas são a Educação que recebemos e as oportunidades que encontramos. Por isso, é papel da escola trabalhar com os sons, a música e a dança - fontes de conexão cultural.
O SORRISO DE UMA CRIANÇA
Se existe algo belo na face da Terra, esse algo é certamente o sorriso de uma criança. Explico.
O sorriso de uma criança não é algo que se constrói. Não pode ser vendido. Não tem receita. Não tem marca. Não tem bula. Não tem selo. Não tem etiqueta. Portanto, não é falso. Ele é genuinamente verdadeiro.
O sorriso de uma criança vem de dentro do seu coração. Da pureza de um coração que ainda não aprendeu a mentir, a falsear, a enganar, a ser mal educado, a ser socializável, a ter um sorriso de soslaio como tem os adultos sempre nas horas mais impróprias.
Quando uma criança sorri, ela sorri porque algo a fez feliz naquele momento.
Ela sorri porque se recordou de algo bom que viveu. Seu sorriso é mais do que isso: ela pede, solicita e suplica que lhe devolva aquele momento que a fez recordar de uma boa lembrança ou de uma lembrança suficientemente boa.
Não é como nós adultos, que tomados da nossa empáfia quando encontramos alguém que não desejamos ou não gostamos, soltamos a esmo: “Oi querida(o), como você está? Tudo bom?” com um sorriso amarelo de orelha a orelha. Ao passo que escondemos em nossas mentes pensamentos atrozes tais como “Mas o que é que esse chato está fazendo aqui? Ai meu deus, lá vem essa mulher de novo? Que saco!”.
O sorriso de uma criança não é incongruente com o seu pensamento. Ela sorri porque acha que ela deva sorrir quando encontra algo que a faz feliz. Ela pede que a amemos como o fizemos antes, na sua parca memória.
Ela solicita nosso gesto espontâneo porque entende que, de fato, é verdadeiramente responsável por aquilo que cativou, como certa vez disse uma raposa.
Nenhum sorriso infantil, por conseguinte, vem desacompanhado por si. Ele geralmente trás consigo um brilho nos olhos quase marejados e “clorificados” de seu encanto e pureza sem igual e sem o qual não seríamos objeto nem do seu desejo nem do seu amor, muito menos do seu apelo. Toda mãe e todo o pai reconhece o sorriso do seu filho quando criança, e por este é reconhecido.
Com ou sem dentes, com ou sem lágrimas, com ou sem uma doce risada, com ou sem palavras, ninguém fica incólume ao sorriso de uma criança. Pelo contrário. Nós nos desapegamos da viscosidade de sermos adultos e nos agarramos firmemente ao sortilégio de, por um breve segundo sequer, voltarmos a agir como uma criança novamente.
Os consumidores compulsivos de “sorrisos infantis” certamente já passaram pela experiência de dizer ou fazer coisas que sequer tem correlato na linguagem infantil. São sons inaudíveis, caretas e gestos ridículos, que só esses “consumidores” verdadeiramente apaixonados “pelo sorrido de uma criança” são capazes de fazer.
Só um adulto pode tentar ser ou agir como uma criança, mas ele é incapaz de sorrir verdadeiramente como a criança que fora outrora. Em compensação, só uma criança pode sorrir com o ar de infante que lhe é característico, porque ela teve a sorte de (ainda) não passar pela sofismável e contaminável experiência de ser um adulto.
O sorriso de uma criança é generoso por si. Ele nos cala, mas também nos faz falar. Ele dói, mas a dor é prazerosa. Ela nos toca, mas não no coração, é na alma. Ele nos tira o fôlego, mas é para podermos respirar melhor no momento seguinte. Ele nos acalma. Nos aquieta. Pode até nos inquietar. Ele nos satiriza, mas é por uma boa causa. Ele nos dá esperança, mas essa esperança é vã.
A esperança vã é de saber que aquela criança e aquele sorriso pode até se perder no futuro sorriso do adulto que se transformará, mas em algum dado momento, ele retornará ao seu verdadeiro dono no instante exato que encontrar o sorriso de uma outra criança. A criança que foi. A criança que se é. A criança que se tornou.
Sorria.
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